Amando a nova rotina

A última vez que escrevi por aqui ainda estava em Portugal atuando como voluntária em uma ecovila em Sintra, onde integrei uma equipe multinacional com representantes da Dinamarca, Portugal, Espanha, Suécia e Coréia do Sul. Quantas diferenças e semelhanças compartilhadas… lições para a vida!

De Sintra, fui para o aeroporto de Faro (no sul de Portugal) onde, infelizmente, não pude fazer a Rota Vicentina como planejado. Mas o universo é tão bondoso que me deu de presente o amigo André, uma pessoa incrível de Vila Nova de Santo André, que abriu as portas da sua casa para me abrigar na próxima passagem pela região do Alentejo.

Treze dias depois do último post, tento lembrar das minhas experiências mais recentes:

– Uau! Quanta coisa incrível aconteceu em menos de uma quinzena!!!

1) Passei uma curta temporada em Londres para rever a amiga Joice e palestrar no III Encontro de Brasileiras pelo Mundo. Tive a rica oportunidade de me hospedar na casa de uma linda família de cariocas, que me recebeu carinhosamente como membro da família. Além disso, tive uma guia particular disposta a me apresentar a encantadora e organizada Londres de forma prática, tranquila e barata. Também matei a saudade da comida brasileira. Ah, como sou abençoada!

2) Apaixonada por Londres, tive que trabalhar mais uma vez o desapego e embarcar para Estocolmo (nada mal, né?). Meu primeiro desafio na cidade era conseguir a extensão do visto. Afinal, eu estava completando 90 dias como turista no espaço Schengen.

Um parêntese para esta novela dramática: assim que cheguei em Lisboa, procurei as embaixadas da Suécia, Dinamarca, Bélgica e o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) para obter informações sobre a extensão do visto Schengen. Qualifico como novela porque é impressionante como as informações são desalinhadas. Cada um diz uma coisa e nada se conecta. As orientações recebidas pessoalmente são diferentes das disponibilizadas nos respectivos sites. Certinha do jeito que sou, e não querendo correr o risco de ser multada e deportada, preferi abrir mão da viagem para a Dinamarca e Bélgica e ir diretamente para a Suécia, único local onde tinha um compromisso formal: a conferência das ecovilas em julho.

Lições aprendidas neste processo:

  • Não existe extensão de visto para todo o espaço Schengen. A extensão deve ser solicitada no país em que se pretende passar mais tempo por alguma razão especial e, se aprovada, será válida apenas neste país;
  • No caso de Portugal, o SEF está tão atrasado com os pedidos que, normalmente, só possui disponibilidade para agendar novos serviços seis meses depois. Ou seja, com apenas o comprovante do agendamento feito por telefone, obtém-se autorização para circular por mais um período no país. Basta anexar o documento no passaporte para mostrar a algum agente federal caso seja solicitado;
  • O Brasil tem um acordo com os cinco países nórdicos que permite aos brasileiros circularem na região por 90 dias, ainda que tenham chegado ao limite de 90 dias dentro do espaço Schengen. Vale lembrar que Finlândia, Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia também fazem parte do Tratado Schengen. No entanto, devido a esse acordo especial com o Brasil, é concedido um novo visto de 90 dias para a região nórdica.

Entrada concedida, lá fui eu explorar Estocolmo. Minhas primeiras impressões não foram nada positivas. Desembarquei numa plataforma rodoviária suja e com cheiro forte de xixi. Não consegui sequer colocar a mochila no chão. A estação central do trem também estava muito suja. Como precisei ir direto para a agência de imigração em Solna, que fica fora da região nobre, experimentei esse lado desconhecido da cidade.

Mas essa imagem negativa foi logo sendo apagada no caminho para Hägersten, casa de mais uma família brasileira que cooperou com o meu projeto. Dessa vez, tive a oportunidade de conhecer e conviver por cinco dias com um generoso casal gaúcho e suas lindas cadelas Mandy e Penny. Como sou grata pelas ricas partilhas durante as refeições preparadas com carinho pelo casal, pelo tour mostrando cada pedacinho da linda, tranquila e charmosa Estocolmo.

Ainda consegui tomar um café com a Célia e sua família, cearense que mora na Suécia há 25 anos. Ficarei hospedada em sua casa quando eu retornar à Estocolmo no final de julho.

Confesso que estou vivendo um caso de amor com os parques europeus durante esta primavera-verão. Que paz! Que grama! Impossível não tirar os calçados e se jogar. Impossível não parar para apreciar o céu azul, o aroma das flores, o canto dos pássaros, a brincadeira das crianças, o piquenique das famílias e amigos, o romance dos casais apaixonados, a alegria dos cachorros por poderem correr soltos… e tudo isso durante a semana. Libertador! Que felicidade estar aqui nesta época.

3) Atualmente estou em Gävle, uma pequena cidade a menos de 200 km de Estocolmo. Mais uma vez, uma brasileira me recebe de braços abertos. Desta vez, uma paulista que vive com um sueco. Cheguei no domingo para a festa junina organizada com a ajuda dos brasileiros vizinhos. Que alegria poder compartilhar momentos tão preciosos com conterrâneos que acabei de conhecer. Que bom saber que, mesmo tão distante, a cultura brasileira é preservada.

O casal viajou de férias e estou cuidando da casa. Minha principal missão é cuidar do jardim, da tímida gatinha Frida e levar o cãozinho Viktor para a creche. Sim, aqui na Suécia tem creche para cães. 😊

Estou animada com a nova rotina! Hoje comecei a trabalhar como voluntária na ONG Rapatac, que tem como objetivo fazer a ponte entre a Suécia e o exterior ajudando imigrantes e refugiados em vários projetos. A equipe também tem representantes de diferentes países: Senegal, Chile, Índia, Iraque, Irã, Finlândia, Romênia, Espanha e Suécia, é claro! Em breve, compartilho minhas primeiras experiências nesta nova atividade.

Celebro e agradeço as novas oportunidades e amizades que o site Brasileiras pelo Mundo me concedeu.