Inspirando novos programas de voluntários na Dinamarca

No último trimestre, devido às longas férias escolares do verão europeu, concentrei as minhas energias no trabalho voluntário em comunidades sustentáveis.

Já escrevi sobre os aprendizados adquiridos em Portugal, na Suécia e na Dinamarca.

A minha última experiência, ainda na Dinamarca, foi na comunidade Andelssamfundet em Hjortshøj. Lise Reinholdt, arquiteta-anjo que já explorou algumas ecovilas pelo mundo, demonstrou o seu desejo em colaborar com o meu projeto no primeiro contato. E não foi diferente! Ela fez o impossível para que todos nós ganhássemos compartilhando experiências na comunidade que, até então, não havia recebido voluntários.

Mesmo de férias, ela intermediou contatos e conseguiu a minha primeira anfitriã por cinco dias: Lena Dalgård, psicoterapeuta e autora de quatro livros, que também já viajou o mundo como conferencista. No sexto dia, mudei-me para a casa super arquitetada da Lise, onde fiquei até o final da minha estadia com uma vista espetacular do nascer do sol e a da lua.

 

São 130 famílias, divididas em oito grupos, equilibrando liberdade pessoal e vivência em comunidade. Têm a generosidade como um dos valores e desenvolvem condições para aumentar o senso de comunidade entre pessoas de diferentes idades, origens e formações. Há muitas crianças na ecovila que podem brincar livremente na região e também ajudar nas atividades.

 

 

A responsabilidade compartilhada e a participação mútua no trabalho são necessidades para o bem-estar de todos. A maioria das atividades opera em uma economia parcialmente compartilhada reconhecendo todo o trabalho com igualdade. O mercado ecológico realizado no último domingo é um grande exemplo deste trabalho em conjunto.

 

 

Tive o imenso prazer de reencontrar neste evento alguns amigos de Friland e o engenheiro responsável pela minha visita à Dinamarca (conheci o Bjarne Gantzel Pedersen na Conferência das Ecovilas da Europa e ele me indicou o site que contém todas as comunidades sustentáveis do país). Detalhe: ele ficou hospedado na mesma casa que eu. Ô mundo pequeno!

Minhas atividades voluntárias

Foram 20 dias intensos de muitas trocas e aprendizados, onde experimentei a simpatia e a calorosa receptividade dos dinamarqueses locais e a vida em comunidade em vários aspectos:

1) Ajudei na pintura de uma casa de madeira. Após o término do trabalho, o pintor profissional da Nova Zelândia, ao se despedir, colocou uma nota de coroa dinamarquesa na minha mão direita como forma de agradecimento pela ajuda. Sem ver o valor, devolvi imediatamente. Afinal, o meu pagamento estava sendo feito com acomodação e alimentação gratuitas. Era o que eu precisava.

2) Fiz pães integrais e cookies de chocolate na padaria inclusiva local, cuja maior parte da equipe é composta por pessoas com algum tipo de deficiência mental, fruto da parceria com o projeto Vimby.

 

 

 

3) Organizei as roupas da loja local de produtos usados, também inclusiva, e ainda fui modelo por um dia para a página oficial do Facebook. 🙂

 

4) Vendi panquecas e as guloseimas do Café no mercado ecológico (confesso que dar troco utilizando as moedas dinamarquesas foi a tarefa mais difícil).

 

5) Colaborei na colheita dos mais de 200 ovos ecológicos produzidos diariamente pelas galinhas que vivem livremente na comunidade.

 

 

 

Os ovos são vendidos dentro da própria ecovila através do sistema de autoatendimento baseado na confiança. Cada família pega a quantidade que precisa e efetua o pagamento pelo celular.

6) Fiz um jantar brasileiro com a receita colorida e saborosa da Broto Design para minha amiga preferida Odete. Nos comunicávamos através da linguagem universal dos animais. Bons momentos, né Lisa?!

 

7) Apoiei a ativista política Else na limpeza da imensa horta comunitária.

 

8) Passei óleo nas mesas de madeira para protegê-las do próximo inverno.

 

9) Organizei a lenha comprada para aquecer o inverno de uma das famílias da comunidade. Trabalho perfeito para a minha estatura (só eu conseguia ficar em pé dentro da casinha do cachorro… muitos risos!)

 

 

10) Acompanhei o rico projeto de caminhada cultural da educadora Pernille Helberg Stentoft com as crianças da Escola Internacional de Aarhus. O objetivo do projeto é explorar diferentes lugares da cidade e experimentar sensações que não damos muita atenção na correria do dia a dia.

A minha multifuncionalidade inspirou a comunidade a criar um programa oficial de voluntários para o próximo ano, Eles ficaram satisfeitos com o resultado e pretendem formar um grupo para receber voluntários internacionais e compartilhar suas experiências através da economia colaborativa, onde todos ganham. Cumpri a minha missão e sinto-me imensamente agradecida pela confiança e apoio recebidos e, mais ainda, por abrir caminhos para novos viajantes.

Em clima de despedida, os novos amigos prepararam um café especial para celebrarmos a amizade, a generosidade e as valiosas partilhas. Recebi o carinho e o afeto de todos, presentes especiais e o convite caloroso para um futuro retorno.

Em paralelo às atividades voluntárias, recebi ajuda para visitar as escolas da região, cujos aprendizados serão compartilhados no meu próximo post no site Brasileiras pelo Mundo. Nas horas vagas, também fui turista e ainda tive o imenso prazer de tomar um delicioso chá com dois conterrâneos sul-americanos (os argentinos Emiliano e Emmanuel) e matar a saudade da nossa cultura. Gratidão!

Atualmente, estou como hóspede na ecovila Økosamfundet Hallingelille recuperando as energias para a próxima etapa da viagem, que começa amanhã rumo à ilha de Brač na Croácia.

Muitos anjos de luz têm surgido em meu caminho para cooperar de diversas maneiras, tornando o meu sonho possível. Continuo voando agradecida e confiante na boa essência do ser humano.